27 setembro 2016

Callot

Marie, Marthe e Regina
Soeurs Callot 
(Irmãs Callot / Callot Sisters)

Maison formada por quatro irmãs, Marie Callot Gerber, Marthe Callot Bertrand, Regina Callot Tennyson-Chantrell e Joséphine Callot Crimont, francesas de origem russa, filhas de Marie-Julie Rival que, com o casamento virou Marie-Julie Callot, rendeira e de Jean-Baptiste Callot, artista, pintor.

Inicialmente, seu pai alugou uma loja (1879) onde elas vendiam rendas e enfeites por elas confeccionados, na Place de la Trinité,  já sob o nome "Callot Soeurs". (1)

A mais velha, Marie, trabalhou na "Raudnitz et Cie" entre 1881 e 1890, chegando a ser "primeira", ou seja, a responsável por toda uma equipe.


1910
(Pequeno comentário: Há uma foto indicada como sendo das irmãs que não me pareceu razoável, visto que, nesta foto acima, elas se parecem entre si, têm praticamente a mesma altura e as pessoas na foto da direita não.  Além disso, a foto de Marie Gerber mais velha se parece com a primeira moça da esquerda, mas não combina, em nada, com qualquer uma daquelas na foto da direita. A foto vem de um cartão postal (2) e me parece mais que sejam modelos, clientes ou costureiras da casa. A janela é exatamente aquela do endereço abaixo).

24, rue Taitbout - Letreiro Callot Soeurs


Em 1895, montaram negócio próprio, no nº 24, rue Taitbout, Paris, France.

Em 1897, Joséphine cometeu suicídio e a empresa continuou com as outras três (que estão na foto).

Logo alcançaram grande sucesso.  Em 1900, elas empregavam 600 pessoas e se posicionaram entre as empresas mais representativas da costura francesa na Exposição Universal.

1899 (MET) seda bordada


No ano seguinte, somaram negócios de quatro milhões de francos e puderam quitar todos os seus empréstimos.

1900 - MET -
seda com fio de metal
doado em 1935 por
Susan Dwight Bliss

Passaram pela maison, como costureiras, Louise Boulanger, que também montou seu próprio negócio,  Georgette Renal e Madeleine Vionnet (entre 1901 e 1907).

Mme Vionnet associava seu próprio sucesso ao treinamento que recebeu na maison Callot Soeurs e dizia: "sem o exemplo das Irmãs Callot, eu teria continuado a fazer Fords. Por causa delas é que eu tenho tido habilidade para fazer Rolls-Royces."

Também teria dito que "os vestidos de Marie Gerber eram verdadeiras obras de arte" e que a designer parou de fazer vestidos que exigissem espartilhos em 1903.

1900 - MET
Ainda de acordo com Vionnet, Madame Gerber era amiga do crítico e colecionador de arte Edmond de Goncourt, com quem compartilhava o interesse no Oriente e no design rococó do século XVIII.

O salão das irmãs nesta época refletia essas duas influências e elas recebiam as clientes em uma sala no estilo chinês com laca, seda e móveis Luís XV....

1910/1915
MET doada
por Acosta
Proust em sua obra "Em busca do tempo perdido" menciona vários costureiros da época, inclusive Callot, comentando, especialmente, o uso da renda:

- "(...) Na realidade, há poucos costureiros, um ou dois, Callot, embora use um pouco demais a renda, Doucet, Cheruit, às vezes Paquin. O resto é um horror.
- Mas, então, há uma diferença imensa entre uma roupa de Callot e aquela de um costureiro qualquer? perguntei a Albertina.
- Mas enorme, meu querido, me respondeu ela. Oh, perdão, há somente um porém! O que custa 300 francos lá fora, custa dois mil francos neles. Mas aquilo lá não se parece, aquilo só tem um ar parecido para as pessoas que não conhecem nada disso."











1907: Palais Galliera, musée de la Mode de la Ville de Paris - Vestido Cartago
Tule bordado sobre cetim, pérolas falsas e cabochons azuis.

1907 - MET
seda, metal e penas (?)
Um artigo de 3 de outubro de 1909 entitulado "The Rue de la Paix Made the World of Fashion Marvel by Its Showing of Russian and Barbaric Costumes, publicado no New York Times explicou a hierarquia das marcas de acordo com o uso das roupas segundo o horário do dia:

[…] a única resposta possível é que tudo depende do que se deseja, seja um vestido para sair à rua, um vestido para tarde ou um vestido para a noite.  

E ainda assim não há uma linha de demarcação absoluta. 

Somente de forma geral pode-se organizar desta maneira: 
Drécoll e Bechoff-David para a rua, Beer e Redfern para a tarde e roupas de teatro mais arrumadas, Worth e Callot para vestidos de noite"




1909: Gregg Museum
Vestido azul real com cintura império, mangas curtas e cauda de peixe. A saia tem lantejoulas quadradas em tule sobre cetim, no centro da frente, há, também, grandes gemas.






1909 - Les arts Décoratifs:

Cetim de seda recoberto de tule metálico e tule de seda, galão de tule bordado de lâminas lisas e "guillochées", e de pérolas, volant de renda metálica, glands e franja de passamanaria em canutilhos.

























1909 - MET (seda)

1910 - MET:
algodão, seda e metal, da coleção Jacqueline Loewe Fowler

Vestido estilo diretório.

Neste, as lantejoulas variam. Algumas são presas em uma filigrana parecida com uma cabeça de alfinete, outras são planas, em algumas, o metal se sobrepõe a um cristal facetado. Toda essa ornamentação não decorre somente do prazer da diversificação, mas é calculada para produzir efeitos mágicos dependendo da superfície que é vista e da luz das velas.




Mrs. Rita de Acosta Lydig era uma socialite norte-americana, conhecida por sua beleza e personalidade.

Seu extenso guarda-roupas foi a base da coleção do "The Costume Institute at the Metropolitan Museum of Art" en seu início em 1937.

Comprou muitos vestidos das irmãs Callot.
Nesta pintura, de 1911, do pintor Giovanni Boldini, ela usa um vestido quase sem costuras, feito de uma única peça de renda do século XI, que lhe custou nove mil dólares.

A maison tinha com ela um relacionamento especial, fazia-se o que ela queria. E valia a pena, porque ela nunca pedia um vestido só, mas uma dúzia a cada vez.... (3)

As peças da foto abaixo pertenciam a ela.






1911 - MET:
Seda, algodão, fio metálico e contas de metal



9, av. Matignon
Em 1912, sua equipe havia aumentado para 1.000 pessoas e o volume de negócios para 6 milhões de francos, algo colossal para a época.

O imóvel teve que ser derrubado pelas obras do Boulevard Haussmann. Então, em 1907, elas compraram um terreno no nº 9, Avenue Matignon onde construíram um belíssimo imóvel no qual se instalaram em 1914 (No endereço hoje funciona a Christie's).





Pelo tamanho e luxo do prédio podemos comprovar o sucesso que já tinham alcançado....






Nesta época é que começaram a colocar data nas etiquetas. (5)




Ainda em 1914, como membros do Sindicato da Defesa da grande costura francesa, estabeleceram controles para proteger as criações oficiais dos designers  (Ao lado, indicação de um processo por elas movido por cópia indevida - publicado em "La Mode Devant les Tribunaux").

A casa permaneceu aberta durante a Grande Guerra.  As irmãs participaram, em 1915, da "Pacific Panama International Exposition" em São Francisco na California.

1916/17 - MET: silk, glass, metal

Novamente o New York Times, agora em 1917, descrevendo a  nova moda:

"(...) babados são populares neste estabelecimento (Callot), do tipo que contorna o rosto e cai solto (...) os pingentes de seda são empregados quando o vestido é bordado (...) Simplicidade é a nota principal de todos os efeitos e tudo é jovem. Superfícies macias estão na ordem do dia (...) Veludo de lã é um tecido favorito dessa casa, como o "duvetin" e alguma gabardina. (...) Um vestido, notável na coleção era de veludo marinho com acabamentos em castor. Este tom também é favorito (...) como o amarelo conhecido como açafrão. Combinado com preto, o conjunto é extremamente atrativo. Outra combinação vista foi de roxo e verde (...) Muitas criações com renda estão na coleção. As saias estão no comprimento do topo do sapato, são estreitas e todas têm um ar de conforto. Os vestidos de noite têm a bainha irregular (...)" (4)

1920 - MET: seda e fio de metal

Em um artigo da revista "Les Modes" de 1920:
" (..) Madame Gerber é a mais velha das irmãs Callot. Como todos os criadores, ela não sai muito. É preciso conseguir audiência. 
Enquanto que as Madames Paquin ou Jenny, MM. Redfern, Doucet, Doeuillet, Poiret são personalidades bem parisienses com as quais se cruza nos corredores do teatro, nas corridas de cavalos, nos banhos de mar, ninguém pode se vangloriar de ter percebido Madame Gerber na vida corriqueira. Ela cria a moda como Deus o Pai criou o mundo, longe dos indiscretos. (..) 
Madame Gerber-Callot me recebeu, com a gravidade de uma Madre, em um tipo de salão austero, nu como um recinto de um convento. Inclusive, nenhum sacrifício à arte da toilette por sua própria conta: um peignoir de mousseline do qual emergia uma gola poderosa coroada por uma figura grave, de uma calma um pouco desdenhosa :
- Nós fazemos viver trinta mil pessoas! ela me declarou abruptamente. (...)"
Marie Gerber em sua residência.
Um pouco atrás, Marthe Bertrand.



Marthe faleceu subitamente em 1920, e Regina, viúva, se afastou para cuidar de seu filho. (3)

À direita, foto da casa de Marie onde ela aparece em primeiro plano, com Marthe logo atrás,  reproduzida no livro "Les Moires suivies du Journal de Mirande" escrito em 1978 por Lydie Chantrell, neta de Regina.

 

À esquerda, carta manuscrita de Marie Gerber (1919) onde ela fala da perda de seu marido e da irmã Josephine, bem como dos ferimentos de guerra de seus filhos.



Marie ficou à frente do negócio pelos sete anos seguintes, acompanhada de seus filhos, Pierre e Jacques.



Jacques se dedicou à produção de perfumes.


Callot lançou vários, entre eles um que reflete bem a inspiração oriental:
"A filha do rei da China".




Forvil era apresentado em um vidro Lalique, luxo dos luxos...








1921 - MET:

Este vestido iria participar da mostra Chic Chicago. Infelizmente, o belo tecido de brocado de lamê dourado, bordado de pequenas contas e com um grande broche ficou tão pesado que as alças muito leves e finas começaram a se desintegrar.
O tecido começou a esgarçar sob o próprio peso. 
Embora a equipe de conservação possa solucionar estes problemas, não havia tempo hábil para a abertura da exposição.
Pertenceu à Senhora Potter Palmer II  (Pauline Kohlsaat, casada com o diretor do First National Bank of Chicago) e, depois, doado ao Museu de História de Chicago.






As irmãs Callot vestiam muitas atrizes, Cécile Sorel, Jeanne Graiser e Eve Lavallière e, também,as mais ricas mulheres do planeta: Elisabeth d'Autriche, Mesdames Rothschild, Meunier, Eiffel, etc.

As americanas chegavam em juho e encomendavam entre 300 e 800 peças.... (3)

Um artigo de janeiro de 1922 publicado no Ladie's Home Journal dizia "Callot provavelmente tem mais clientes ricos que qualquer outro estabelecimento no mundo. Eles vêm da Amérida do Sul, da África do Sul e até do mais longínquo oriente, como o Japão."




 1922 - FIT:

Para Marie Gerber, a mulher sempre vinha primeiro:
"O vestido é tudo aquilo que deveria ser parte da mulher, não a mulher parte do vestido"(3)



























1922 - MET:


1923 - MET:
1923:
 





Mme Gerber é tida como a primeira pessoa a criar modelando os tecidos diretamente sobre o corpo das modelos, método hoje conhecido como modelagem ou "draping", que suas costureiras seguiam, inclusive Vionnet.



1924: FIT de Chicago

Crepe de chine de seda preto, lamê dourado e tule.

De inspiração oriental, lembra o panejamento de um sari indiano e a superfície brilhante da laca chinesa, enfatizando tanto o exotismo como a modernidade do estilo Art Déco.

Marion Morehouse 1924

1924-25: MET (seda)

Na década de 20 a empresa abriu filiais em Nice, Biarritz, Buenos Aires e Londres e participou da Exposição Internacional das artes decorativas e industriais modernas de 1925 em Paris.














1925:

1925 - Goldstein Museum ou (?) MET - seda


Estes dois vestidos de seda apresentam longas e fluidas versões das mangas vistas nos casacos Otomanos.

As Callot eram mais conhecidas pela inspiração chinesa, mas os estilos Persa-Turco freqüentemente compartilham do mesmo sentido da cor.





Mrs P Nightingale 1926 - Fox Historic Costume Collection

Em 1927, Marie, com 70 anos, morria.
Le Figaro publicou um obituário dizendo: "Uma das figuras mais bonitas do negócio de luxo de Paris hoje desapareceu."

Vionnet disse sobre Madame Gerber: "era uma grande dama que se ocupou com uma profissão que consiste em enfeitar mulheres... não construir uma roupa"

Seu filho Pierre Gerber continuou os negócios mas sem muito sucesso.

Isabelle Huppert, tataraneta de Marthe Bertrand, afirmou em uma entrevista para ParisMatch:  "a crise de 1929 foi fatal para a empresa da família".




1927:
Panne de velours imprimée, tulle de soie, broderie de perles de verre.


 
1928: Chicago - Seda charmeuse, bordada com pérolas e fio metálico.

1928: Philadelphia Museum of Art

Conjunto de apresentação na Corte: Vestido, cauda, combinação, enfeite de cabeça e leque. Vestido de seda e lamê com tule, lantejoulas e strass. Combinação de cetim de seda. Leque e enfeite de cabeça de penas de avestruz.
1929:

1931:

Óleo sobre tela de Giulio de Blaas (Italian, 1888-1934) retratando Marjorie Merriweather Post quando foi apresentada na corte de St. James.

E o vestido, que está no
Hillwood Estate, Museum & Gardens.







1933: Palais Galliera- Musée de la mode de la ville de Paris

Este foi doado por Lydie Chantrell, neta de Regina:

Cetim de seda preto e marfim. Fivelas em baquelita preta. Forro em crepe acetinado de seda marfim.

A predileção dos anos 30 pelo crepe e o cetim que favorecem o corte em viés e pela oposição do preto com o branco se exprime plenamente neste conjunto marcado pelo classicismo.







A maison mudou para avenue Montaigne em 1934 e, em 1935 foi comprada por Marie-Louise Calvet da maison Calvet. Ambas fecharam as portas em 1953/54.
Em 1988, os direitos da Maison de couture Callot foram comprados pela família Lummen, conhecida por ter relançado a marca Vionnet em 1995.


1935: Robe "Marie Galante" - Les Arts Décoratifs
Renda mecânica de albene vermelho vivo.




Finalmente, como Diana Vreeland escreveu em "Inventive Paris Clothes, 1909-1939", 
“Os vestidos Callot eram perfeitos em cada detalhe".



Seu nome foi escolhido para figurar em placas comemorativas na calçada da Av. Montaigne, em Paris, junto com Poiret, Paquin e Vionnet.


(1) http://www.ladentelledupuy.com/index.php?page=reportages_detail&id=42

(2) http://www.diktats.com/french/maison-callot-soeurs-24-rue-taitbout-a-paris-circa-1916.html#.V-Kk1eRQQzE

(3) "The Great Fashion Designers" - Brenda Polan e Roger Tredre

(4)http://query.nytimes.com/mem/archive-free/pdf?res=9C04E5DB113BE03ABC4F53DFB667838C609EDE

(5) "Elements of Fashion and Apparel Design" - G. J. Sumathi

http://www.newyorker.com/magazine/2015/03/23/twenty-one-dresses
http://www.philamuseum.org/
http://www.fashionmodeldirectory.com/
http://www.metmuseum.org
http://collections.lesartsdecoratifs.fr
http://www.palaisgalliera.paris.fr
http://a80-musees.apps.paris.fr/
http://fashionmuseum.fitnyc.edu/
goldstein.design.umn.edu/
https://gregg.arts.ncsu.edu/
http://www.alaintruong.com/
http://www.lefavori.com/les-soeurs-callot/
http://www.fashionmodeldirectory.com/designers/louise-boulanger/
http://www.canalblog.com/
http://www.parismatch.com/People/Cinema/Isabelle-Huppert-descendante-des-Soeurs-Callot-602878
Les Moires suivies du Journal de Mirande (1978) - Lydie Chantrell

18 setembro 2016

Jeanne Paquin

Retrato da Costureira Madame Paquin
pelo pintor Henri Gervex
Jeanne Beckers, conhecida como Madame Paquin
(1869 - França - 1936)

Estilista Francesa.

É considerada a primeira mulher a dirigir uma maison de moda, atuando por trinta anos, na última década do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX.

Seu principal legado não está na inovação das roupas em si, tendo sido bem tradicional neste ponto,  mas na forma de gestão da empresa de moda.





A Designer Maggy Rouff disse sobre ela: "Eu posso ainda ouvir a voz cristalina de Madame Paquin dizendo que a moda precisava constantemente se renovar, sem fraqueza ou medo, sempre com audácia."

Apesar de ter nascido depois de Jeanne Lanvin, sua maison foi aberta vários anos antes, já com a linha completa, enquanto Lanvin começou com chapéus, iniciando a linha de roupas somente em 1909.





Tendo trabalhado como modista na Maison Rouff, abriu sua própria casa no ano de 1891, em Paris, 3 rue de la Paix.

Pelas fotos dá para ver que a loja foi aumentando, ganhando os espaços da perfumaria que ficava ao lado.



Transferiu sua sede para Londres, em 1896, transformando o endereço de Paris em sucursal.

Abriu filial em Nova Iorque em 1912 e também em Madri e em Buenos Aires.

1895:
 1901:
(Met Museum)
detalhe

Vestidos de 1902:

Parceria com Léon Bakts

Ela via a moda como parte da vida cultural,  da arte, tendo concedido várias entrevistas e, até, escrito artigos sobre o tema.


Assim, tanto fez roupas para a nobreza européia e para ricas americanas, como para atrizes, como Liane de Pougy e La Belle Otéro,  tendo trabalhado em parceria com Léon Bakts, o figurinista do balé de Diaghilev, além de George Barbier, Robert Mallet-Stevens e Louis Süe.

Vestidos em parceria com Léon Bakst




Jeanne costumava divulgar seu trabalho aparecendo, junto com suas manequins, na Ópera ou em corridas de cavalos, além de organizar desfiles de moda.




Em uma das ocasiões, teria mandado várias modelos a um evento, todas com a mesma roupa.

Um guia de Paris de 1906 elogiava a forma de funcionamento de sua empresa, que sempre estava de portas abertas para suas clientes.


A pintura a seguir, de Henri Gervex, mostra uma tarde nos salões da Maison Paquin. Bem no meio da tela está a estilista, usando um vestido "diretório" ou "império".
A imagem foi publicada como anúncio na revista "Les Modes" em 1907.


Empregados em 1906

Madame Paquin chegou a ter 2.700 empregados.

Contrariamente aos padrões da época, Jeanne e seu marido tinham uma postura mais avançada com relação a eles, tendo, inclusive, comprado uma "villa" que era usada para que relaxassem.


Gréve na frente da Maison Paquin




Na greve de 1917, eles manifestaram simpatia pelos grevistas, o que gerou muita controvérsia com as outras casas de moda.


Nesta tela, J. Béraud mostra a saída das costureiras da Maison Paquin. 

Na época (1912), foi sucesso a canção "La Biaiseuse", de Léo Lelièvre, que dizia:

"Dans les grandes maisons de couture
Y'en a qui sont trottins
Y'a des vendeuses et par nature
Y'en a qui sont mannequins
Y'en a qui font des corsages
D'autres qui font des surjets
   Moi Mesdames Messieurs mon ouvrage  
C'est de faire des robes en biais
Pour bien biaiser une robe ma fois
Y'en a pas deux, pas deux comme moi
Je suis biaiseuse chez Paquin"
Nas grandes casas de costura
Há as compradoras,
Há as vendedoras e, por natureza,
Há as que são manequins,
Há as que fazem os corpinhos
Outras que fazem os chuleios
           Eu, Madames e Cavalheiros, meu trabalho
é fazer os vestidos em viés
Para bem fazer isso, eu juro,
Não há duas, não há outra como eu.
Eu sou "viesadora" na casa Paquin"






    



1909
1912


Depois da morte do marido, que a deixou viúva com apenas 38 anos, dedicou-se ainda mais ao trabalho, participando de várias exibições no exterior, como a de Turin de 1911, com um pavilhão imitando um templo grego, na qual fez muito sucesso, tanto que teve que cobrar ingressos para controlar o número de visitantes.


Lutou em muitos processos para impedir a cópia de seus desenhos. ("La Mode Devant les Tribunaux")

E esse foi um dos motivos que fizeram com que organizasse tantas viagens ao exterior.  Em tournée pelos Estados Unidos, declarou à reportagem "La tournée du grand couturier" da revista Femina de 1º de junho de 1914: "(...) fabricantes estrangeiros (...) criaram o hábito de imitar muito habilmente os modelos que nós lançamos, de suprimir sua personalidade, sua marca de origem (...) e os lançar nas duas Américas"

Desfile em Chicago

Então, eis uma mulher na capa de
"Os Homens do Dia"


Em 1913 recebeu a cruz da Legião de Honra e foi presidente da "Chambre syndicale de la couture" entre 1917 e 1919.

Ao contrário de Poiret, Paquin achava que não devia determinar o que suas clientes iriam usar, mas que os designers deveriam refletir e responder às mudanças de estilo das mulheres na rua.

Segundo historiadores, ela somente introduzia uma inovação por questões práticas, como no caso das saias afuniladas de Poiret, nas quais Paquin colocou uma fenda escondida, para facilitar o movimento.




Como ele, também teve uma fase oriental (1912):




Apesar de buscar inspiração no passado, como vimos no reeditado o vestido império, também apostou em roupas para esportes, práticas e elegantes ao mesmo tempo.

1910









Ela produziu vestidos que uniam a roupa mais formal, do dia, com a mais suave da noite, misturando elementos de alfaiataria com drapeados, introduzindo, assim, o conceito do dia-para-a-noite nas roupas.

1912 - Comoedia Illustrée

1914

Madame Paquin produziu uma linha de vestidos adaptada ao Tango. Seu cunhado havia notado que os vestidos não eram adequados à nova dança. Ela, então, passou a fazer saias com fendas na frente.


No jornal "Matin" de 21/03/1914, declarou:
“Essas (as mulheres) então, rompendo com o decoro, arregaçam as saias por falta de amplidão. Algumas jovens preferem corta-las até os joelhos como se, por um corte de tesoura na ultima hora, tivessem desejado se liberar um pouco do indesejável entrave...”



Abaixo, uma foto do desfile de Paquin na Inglaterra em 26 de novembro de 1913:


Madame Paquin se aposentou em 1920, voltando a casar, 11 anos depois, com um diplomata Francês, vindo a morrer em 1936.

Em seu obituário, em 14/9/1936, o jornal Le Figaro a descreveu assim:
"Mme Joseph Noulens (...) não era outra senão Mme Paquin da qual a notoriedade não era devida somente à influência que ela exercia sobre a moda parisiense. Mme Paquin, aposentada há muitos anos da atividade comercial, gastou sem contar seus esforços de caridade durante a Guerra (primeira). Ela foi nomeada madrinha da 4e divisão à qual ela, por sua constante solicitude, amenizou as provas, ela também criou a ambulance 44 em Saint-Cloud cuja manutenção ela assegurava.  Após a paz, ela organisou, enfim, as exposições no exterior a fim de contribuir para a retomada de nossa atividade industrial."

Após sua saída, continuaram com a criação,  Madeleine Wallis, Ana de Pombo a partir de 1936, Antonio Canovas del Castillo a partir de 1942, Colette Massignac,  Lou Claverie e Alan Graham.

Desta época, pós-Jeanne, o vestido Chimère, de 1925: (Victoria and Albert Museum)

Em 1953, compram a sucursal francesa de Worth, mas as dificuldades financeiras levam ao fechamento de ambas em 1956.

Seu nome foi escolhido para figurar em placas comemorativas na calçada da Av. Montaigne, em Paris, junto com Poiret, Callot e Vionnet.


Veja também:

Revista Maracanan, vol. 12, n.14, p. 75-96, jan/jun 2016 - Maria Lucia Bueno Ramos - Universidade Federal de Juiz de Fora (http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/maracanan/article/view/20861)
Boucher; Clothing and Fashion Encyclopedia
Davis; Ballets Russes Style: Diaghilev's Dancers and Paris Fashion
The Great Fashion Designers Por Brenda Polan,Roger Tredre
http://histoire.villennes.free.fr/Pages/Extension59.htm
http://www.fashionintime.org/history-couturejeanne-paquin-18691956/
http://angelasancartier.net/jeanne-paquin
http://www.andreavita.com.br/noticiasblog/jeanne-paquin
http://www.universalis.fr/encyclopedie/paquin/
http://www.estiloymoda.com/articulos/siglodisenadores-paquin.php
https://fromthebygone.wordpress.com/2014/02/05/jeanne-paquin-vintage-fashion-photos/



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